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27/12/2017 16h29 - Atualizado em 27/12/2017 16h37

Oficinas de animação e gravura recebem inscrições até 12 de janeiro

Os dois cursos rápidos são gratuitos e abertos à participação de artistas, estudantes de artes visuais e áreas próximas

Acontecem em janeiro as oficinasEntre quadros – o DNA da animação e Gravura em matriz de plástico, com os artistas visuais João Angelini e Zé César. Os interessados têm até o dia 12 para se inscrever e devem solicitar o formulário de cadastro pelo e-mail redeanapolinadearte@gmail.com. Os dois cursos rápidos são abertos à participação de artistas, estudantes de artes visuais e áreas afins e são totalmente gratuitas. Elas têm duração de dois finais de semana, com aulas na Escola de Artes Oswaldo Verano (confira, abaixo, dias e horários).

Os cursos são parte do projeto Teia/Rede Anapolina de Artes, uma realização da Prefeitura de Anápolis via Secretaria Municipal de Cultura e Teia Produções com subsídios do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás. Esta é a segunda edição da proposta, que consiste na realização de oficinas abertas à participação de artistas e estudantes de arte anapolinos e, também, de cidades próximas, que têm Anápolis como referência na difusão das artes visuais no Estado de Goiás. Todo material para utilização nas aulas são oferecidos gratuitamente aos participantes.

O gerente de projetos da Secretaria Municipal de Cultura, Paulo Henrique Silva, explica que o ciclo de debate e reflexão propostos no Projeto Teia não ficaria completo sem um resultado palpável dessas oficinas, afinal trata-se de uma abordagem sobre artes visuais. Nesta perspectiva, todos os participantes serão convidados a produzir trabalhos que, posteriormente, serão catalogados e apresentados ao público em exposição no Museu de Artes Plásticas de Anápolis (MAPA), unidade da Secretaria Municipal de Cultura. A mostra está marcada para o período de 10 de março a 6 de abril.

Sobre as oficinas e os oficineiros

Entre quadros – o DNA da animação
João Angelini

A relação entre cinema e artes visuais - e seus desdobramentos - é a proposta de discussão e reflexão apresentada aos participantes da oficina Entre quadros – o DNA da animação. Duas linguagens que, hoje, se entrelaçam de forma que uma se alimenta da outra, tornando indefinida a fronteira que as separam. Partindo desta linha conceitual, defendida por inúmeros autores contemporâneos, o conteúdo preparado aborda, de forma sucinta, aspectos da história da arte e da animação para, em seguida, mergulhar no universo em que se deu o encontro das tecnologias de foto e vídeo nos circuitos das artes visuais e a consolidação dessas linguagens/técnicas como categorias históricas.
A definição de cinema e a criação do dispositivo de entretenimento, o pré-cinema e o sistema de representação do movimento pele sequência de imagens congeladas,  a animação brasileira e artistas plásticos que usam desses recursos para a construção de seus trabalhos na contemporaneidade, são assuntos abordados na oficina. O objetivo principal é fazer pensar sobre questões que surgem a partir do gesto de animar, quais novos diálogos são estabelecidos, as novas possibilidades advindas com a computação gráfica e as categorias que resultaram dessa aproximação, como os vídeos mapeados e outros processos de imersão na imagem.
Os participantes da oficina vão experimentar técnicas artesanais de animação como o desenho animado, stop motion, pixilation e cut out e, ao final, vão desenvolver, em grupos, um filme animado, passando por todo o processo - da concepção à produção.


O oficineiro

A imagem em movimento é o ponto de partida das pesquisas do artista visual João Angelini, cuja produção apresenta desdobramentos em vídeos, animações, fotografias, gravuras e performances. Pela diversidade da produção, tem seus trabalhos publicados em eventos de diferentes meios institucionais como cinema, teatro e galerias de arte. Suas premiações têm a mesma diversidade: do festival Anima Mundi 2009 (Júri Popular/SP), Bolsa Funarte de Produção 2010, Arte Pará 2012 até o Novo RUMOS 2014.
Membro do Grupo EmpreZa de Goiânia desde 2008 e co-fundador do coletivo TresPe de Brasília, ambos com o foco em performance. Atualmente é professor de gravura, animação e tridimensionalidade da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, onde leciona desde 2008.

Gravura em matriz de plástico
Zé César

Conceito, história e técnicas dos processos tradicionais de gravura - xilogravura, gravura em metal, litografia e serigrafia – são parte do conteúdo, mas apenas como caminho para se chegar ao protagonista da oficina – os plásticos - e as possibilidades que eles podem apresentar. Cada plástico tem características que os assemelham o os distinguem, como dureza para incisões (como o PVC e o acrílico), ou, ao contrário, ductibilidade, (como o polietileno e o PVC expandido; maior resistência ao solvente (como o polipropileno e o polietileno), ou menor (como o poliestireno e o acrílico); etc. Alguns são mais propícios para determinadas técnicas e outros para outras formas de gravar. Tem que se escolher o plástico de acordo com o objetivo ou o projeto, ou adaptar-se a eles, explica o ministrante da oficina, que possui um livro publicado sobre o assunto, fruto de sua pesquisa de tese de doutorado. Aos participantes vão ser apresentados os processos experimentais contemporâneos e  os novos suportes - plásticos, tecidos, pisos com Paviflex e PVC, Duratex, Eucatex, gesso, placas de ofset usadas, placas de radiografia, e outros materiais – utilizados na produção de artistas goianos e de outras partes do Brasil.  Na parte prática serão explicadas e praticadas – em plástico poliestireno - as técnicas de gravação em relevo com o uso de formões e goivas de xilogravura, e o uso da ponta seca, característica da gravura em metal, assim como de outros materiais como lixa, estiletes, materiais cortantes e que arranhem a superfície do plástico. E, também, o ensino e prática da impressão tanto em relevo como em côncavo e em oco-relevo das matrizes realizadas.

O oficineiro

Desde os anos 1980 Zé césar trabalha com gravura, alternando ou variando em seus diversos processos, sempre com espírito investigativo. Assim, trabalhou com gravura em metal, xilogravura, serigrafia, litografia, em gesso, em tecido, colagravura, gravura em plástico - que deu origem à sua tese - atualmente publicada no livro A Gravura em Matrizes de Plástico, e também, outros suportes ocasionais, inclusive gravuras digitais. Essa experimentação deu origem a um livro intitulado De gravuras e cidades. Desenvolve, também, uma série de trabalhos em papelões de caixas de embalagens, cortando, fazendo incisões e colagens, realizando trabalhos bidimensionais e alguns tridimensionais, o que já originou várias exposições e um livro de artista intitulado Metrópolis.Professor de gravura da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG) desde 1980, o artista é reconhecido como um mestre gravador entre outros artistas e pesquisadores da área.